Projetos em Andamento

O QUE É PAISAGISMO SUSTENTÁVEL

Os princípios do Paisagismo Sustentável buscam atingir o equilíbrio entre as diversas dimensões da sustentabilidade: social, ambiental, econômica e cultural:

  • Social è Considerar a área verde como um espaço de educação ambiental para a comunidade, criando espaços integradores para a inter-relação entre usuários e visitantes das áreas verdes, prever acessibilidade constante e uma melhoria na qualidade de vida na população;

  • Cultural è preservação do patrimônio cultural, valorizando a memória local integrando-se de forma harmoniosa a área verde ao contexto em que se está inserido e as características originais das edificações históricas existentes nas proximidades. De forma que se possa resgatar uma consciência regional, através da beleza da vegetação local (espécies de plantas nativas), recursos minerais (pedras) e recursos humanos (artesanatos, esculturas e mosaicos);

  • Econômico è Planejamento eficiente – selecionando materiais de baixo custo para a estrutura física da área verde e considerando o seu ciclo de vida, inserir plantas nativas no PPS afim de que se tenha menos necessidade de serviços de jardinagem e um menor custo gerado pela demanda de água para a irrigação paisagística;

  • Ambiental è Conforto ambiental ocorre quando a área é projetada, considerando as condições climáticas da região onde se localiza. Nesse sentido, devem ser criadas áreas para um melhor aproveitamento da paisagem natural e para melhores condições de ventilação. A cobertura verde das áreas filtra o ar e contribuem para a permeabilidade do terreno e contribuindo na diminuição dos ruídos. Nesse âmbito está o Resíduo da Construção Civil e o Reúso de Água. Propõe-se o uso da captação de água de chuva e cisternas como integrante do paisagismo sustentável.

O paisagismo sustentável integra a arquitetura, os usuários e a natureza. Possibilita atividades de lazer, sendo um espaço voltado para o público. A proposta está na adequação de plantio de espécies nativas, da preservação de espécies de relevância ambiental, cultural e paisagística:

  • Paisagem nativa è Plantas não nativas aumentam a demanda por água, especialmente em fase de crescimento ao contrário de plantas nativas, já adaptadas às condições naturais da área;

  • Minimizar o uso de gramíneas è Gramíneas demanda maior quantidade de água e gastos com manutenção. Espécies nativas tolerantes a períodos de seca, composições arbustivas, coberturas vegetais e espécies perenes podem substituir gramíneas não nativas;

  • Minimizar o uso de plantas anuais è Espécies anuais precisam de irrigação mais intensa do que espécies perenes;

  • Pavimentações permeáveis e materiais renováveis de baixo impacto ambiental;

  • Diminuição do uso dos recursos hídricos, através do uso racional da águas urbanas e reúso de água.

MOTIVAÇÃO

O Brasil possui ainda uma qualidade de paisagens naturais de grande beleza, destacamos a Caatinga presente na região do Semi-Árido Nordestino. Devido ao clima da região (quente e seco) predomina uma vegetação adaptada à falta de chuvas, com plantas de porte arbóreo e arbustivo, associadas a bromélias e cactáceas. Estima-se que pelo menos 932 espécies são registradas na região. Podendo ser identificados três estratos vegetais: arbóreo, arbustivo e herbáceo, são encontradas algumas espécies arbóreas e arbustivas de folhas perenes, sendo grande o número de plantas suculentas

Ao se analisar os recursos hídricos desta região, os rios, em sua maioria são intermitentes e os volumes de água, em geral, são limitados, sendo insuficientes para a irrigação. A vegetação apresenta alta resistência à seca devido a diferentes mecanismos e sua anatomia e fisiologia.

Assim, apesar do Brasil apresentar grande diversidade de espécies vegetais, é comum a utilização de espécies exóticas no paisagismo, ou seja, espécies que não ocorrem naturalmente em solo brasileiro e por sua vez, quando inseridas nas praças públicas e jardins, proporcionam um aumento na demanda de água utilizada na manutenção destas áreas. Nesse sentido o paisagismo sustentável tem por finalidade a integração do homem com a natureza nativa de sua região, inserindo em áreas de ajardinamento a consciência de que é necessário utilizar composições que sejam adequadas para cada tipo de região.

HISTÓRICO DE TRABALHO

2003

As pesquisas foram iniciadas em 2003, lideradas pelo Professor Carlos de Oliveira Galvão (AUEC/AERH) com o TCC – Trabalho de conclusão de curso da aluna Maria Isabel Mota Carneiro, intitulado “Roteiro para paisagismo no Semi-Árido Nordestino”, sob a orientação dos professores Gledsneli Maria de Lima Lins (UAEC/AERH) e Adjalmir Alves Rocha (UAEC/Transportes). Esse trabalho teve a parceria da Empresa Pronta Obra Construções LTDa, através da sua diretora Engª Socorro Fernandes Alencar, auxiliando no desenvolvimentos dos projetos paisagísticos, dos professores Luiz Eduardo Cid Guimarães (UADI) na elaboração de um Manual de Paisagismo Sustentável e Pedro Dantas (UAEAg) com orientações paisagísticas. Durante a realização desse trabalho foi feita uma visita técnica a região do Junco do Seridó – PB, para observações da paisagem nativa e inventário fotográfico. Esse trabalho teve apoio técnico de Ismael Pereira.

2004

Em 2004 foi desenvolvido através do programa BITEC, que desenvolve projetos de parcerias entre universidades e empresas com apoio do IEL, SEBRAE e CNPq, o projeto entitulado “Desenvolvimento de um Sistema Regional para Captação de Água Pluvial com a Revitalização e/ou Construção de Cisternas”, que teve como bolsista o aluno do curso de engenharia civil Rodolfo Luiz B. Nóbrega e parceria da Pronta Obra Construções Ltda e da Mecaplast Ind Equip Peças Mat Plásticas, através do diretor Anchieta. O trabalho teve continuidade com o projeto desenvolvido pelo professor Marcelo Grilo (UAEM) em parceria com a Pronta Obra, aperfeiçoando o trabalho inicial, agora com estudo acerca dos filtros, presentes no sistema de captação de água de chuva.

 Após sua conclusão, o projeto foi premiado como destaque de 3º melhor projeto dentre os 32 desenvolvidos.

Link do projeto: www.hidro.ufcg.edu.br/bitec2004

 2005

Em 2005 novamente participamos do programa BITEC, com a aluna Maria Isabel Mota Carneiro com o projeto “Utilização de resíduos de materiais de construção civil na elaboração e execução de projetos paisagísticos”, em parceria com a Pronta Obra Construções LTDa. Com o objetivo de utilizar os resíduos originados pelo setor da Construção Civil, gerados durante as várias etapas da construção, identificando as características limitantes do uso e do seu reaproveitamento na elaboração e execução de projetos paisagísticos, reduzindo o entulho de obra e viabilizando uma economia de custos industriais. Esse projeto teve a colaboração da professora Luciana Lucena (DEMA) nas visitas aos canteiros de obra da cidade de Campina Grande. Ao final do trabalho foi elaborado um projeto paisagístico para o Laboratório de Hidráulica II – Prof. Manoel Gilberto Barros que contou também com a colaboração do professor Gilson Antonio Miranda (UAEC/Transportes) através do Levantamento Topográfico da área a ser inserida o projeto. Nesse ano o projeto foi premiado com o 2º Lugar. Link do projeto: www.hidro.ufcg.edu.br/paisagismosustentavel

2006 e 2007

Em 2006 as pesquisas foram iniciadas a nível de Mestrado, com a Dissertação da aluna Maria Isabel Mota Carneiro, com o tema: “Gerenciamento da demanda de água em projetos paisagísticos de áreas verdes públicas: o caso de Campina Grande” desenvolvida no PPGCA – Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil e Ambiental – Área de Engenharia de Recursos Hídricos, sob a orientação dos professores Carlos de Oliveira Galvão e Iana Alexandra Alves Rufino, com a colaboração da professora Márcia Maria Rios Ribeiro que desenvolve pesquisas em Gestão das Águas. A pesquisa tem como objetivo simular a implantação de PPS – Projetos Paisagísticos Sustentáveis, na cidade de Campina Grande, através de estudos do consumo de água necessário para a irrigação paisagística das áreas verdes públicas, a fim de que se tenham subsídios à tomada de decisão pelo poder público e comitês de bacias, para um uso racional das águas urbanas. A pesquisa está na sua fase final e identificou o estado das áreas verdes públicas da cidade, através de dados fornecidos pela PMCG – Prefeitura municipal de Campina Grande e visitas de campo. Os resultados estão sendo gerados e a proposta PPS – Projeto Paisagístico Sustentável está sendo esperada como uma solução para minimizar os impactos gerados pelo desperdício de água com os projetos convencionais executado pela administração pública. A pesquisa tem prazo para conclusão em Fevereiro de 2008.

Nesse ano de 2007 o aluno Rodolfo B. Nóbrega realizou também seu trabalho de conclusão de curso em parceria com a Pronta Obra Construções Ltda., na realização do projeto de cisternas para uma residência na cidade de Monteiro – PB, com a colaboração do professor Carlos Fernandes (UAEC/AESA). O projeto teve objetivo de aumentar a oferta de água através da captação de água de chuva que favorece os usos domésticos e visa utilização no paisagismo. O projeto paisagístico também foi desenvolvido de acordo com os princípios do paisagismo sustentável pela empresa, parceira do projeto desde o início.

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